sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Os Spínola da Graciosa

Volto aqui a falar dos Spínola, aqueles três dizimeiros da coroa portuguesa que chegaram a região de Rio de Contas em meados do século XVIII, dos quais descendem tanto meu bizavô, Olindo de Oliveira Guimarães, quanto minha bizavó, Arlinda de Souza Spínola. Apesar de terem dado origem a uma longa linhagem Spínola no Brasil, partindo depois da Bahia, para o interior de São Paulo, Paraná e outros estados, não sabemos quem é o pai deles.

O que se sabe é que são da Ilha Graciosa, nos Açoures. Estudando a história dos Spínolas desta ilha chegamos ao nome de Pedro Spínola Dória, considerado patriarca desta família por lá.

Para entender a história dele e da migração vamos voltar ao avô dele, Leão Spínola (Elliani Spinola Dória), nascido em 1448 em Gênova, descendente de família nobre e mercador, tem registradas passagens pela Espanha e pela Ilha da Madeira. Um dos filhos dele Antonio Spínola Dória (ou do Funchal), nascido em 1470 em Gênova voltaria ainda bem jovem a Madeira, para comercializar trigo na região.

Nesta época o Rei Português começava a ver com bons olhos a presença de estrangeiros na região da Madeira e dos Açoures, já que eles estimulavam o comércio. Em 1490 Antonio é naturalizado Português e se dedica ao comércio de açucar, em 1494 passa a ter negócios nos Açores também. Em 1491 teria arrendado junto com Estevão Eanes toda a produção das ilhas de São Miguel, Santa Maria, Faial, São Jorge e Graciosa por 1 milhão e trezendos reais. Foi representante de vários produtores chegando a negociar 8 mil arrogas de açucar em um único negócio. Era casado com Maria da Porta.

Em 1513 recebeu autorização de Dom Manuel para usar o brazão da família em solo português. Entre 1516 e 1518 chegou a arrendar todos os direitos reais da Madeira, em sociedade com Luís Doria, Benito Morelli e Simão Acciaiuoli. Era representado nesta empreitada pelo primo Leonardo Spinola. Teria também cedido o terreno para a construção da Capela de São Tiago, em 30 de Abril de 1524, sob a condição de que ela sepultaria os mortos da família.

Antonio ainda teria colaborado com acordos comerciais que levaram os mercadores da região da Madeira a patrocinar a expedição ultra marina de outro genovês: Cristóvão Colombo.

Foi casado com Maria da Porta, também de Gênova, e faleceu na Madeira em 1555.

Pedro Spínola Dória, filho de Antônio Spínola e Maria da Porta, veio da Madeira para Graciosa já casado com Catarina da Veiga, filha de Diogo Pires da Veiga e de Inez Pires da Veiga.  Pedro nasceu na Madeira em 1503. Foi fidalgo da casa real  de D. Manoel I em 1515 e Capitão Mor da Graciosa. É considerado o patriarca da família Spínola na Graciosa. Pedro faleceu na Graciosa em 1559

Não consegui criar a linha de descendência dele até meus 3 ancestrais que chegaram ao Brasil em meados dos 1700, mas existem algumas pistas. Pedro teve duas filhas: Paula Spínola da Veiga e Catarina da Veiga Spínola. Apenas os  descendentes de Paula mantiveram o sobrenome Spínola. Um deles é Raphael Spínola de Souza Mendonça, nascido em 1650 e falecido em 08 de Novembro de 1729. Outro Souza Spínola é Manuel de Souza Spínola nascido em 1681 e falecido em 9 de Janeiro de 1742. Pelos anos de nascimento os 2 Spínolas dos quais descendo poderiam ser netos de um deles. Quem sabe um dia conseguiremos fazer esta ligação exata ...

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